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Reinventando profissionais da informação em tempos de mediação digital

Se você atua com informação, oferecendo algum produto ou serviço ou lidando com pessoas, imagino que já tenhas percebido a necessidade de repensar o saber profissional e com ele todas as práticas que envolvem o insumo e o público de algumas profissões.

Consideremos o âmbito informacional e esse cenário de pandemia, isolamento social e algumas possibilidades envolvendo as tecnologias para fazer algumas reflexões:

Seu mindset deve se perguntar como será conviver novamente de forma presencial com as pessoas diante de tantas precauções e receios de um contágio que afetou o comportamento, os hábitos, o comércio, a educação, o trabalho e diversos fatores do cotidiano de todos.

Suas habilidades, ao considerar essa era das lives, a economia da atenção e um novo normal já deve ter assistido algo sobre os impactos da pandemia, evidenciando uma necessidade de adaptação ou mudança.  Mudanças que já foram anunciadas por Giardelli quando o tempo ainda era a moeda do século XXI e sua obra relevante anunciava que você é o que compartilha.

Seu intelecto já deve ter sido beneficiado com alguma capacitação gratuita disponibilizada por meio de plataformas online. Ainda sim, nem sempre essa oferta de conteúdo, está diretamente ligada a uma revolução digital proposta por Martha Gabriel e que gera prosumidores ávidos com suas atenções por algo que efetivamente interesse e seja sinônimo de transformação.

Sua atuação profissional, se ativa certamente por alguns anos de estabilidade e experiência, talvez já não reflita as novas tendências de um mercado de trabalho que busque por jovens autodidatas e com competências infocomunicacionais em profissões, cujas empresas contratam por baixos salários e de forma temporária. Empreender já não reflete apenas necessidade de fugir do desemprego, saindo da informalidade ou uma oportunidade de buscar nichos com demanda informacional crescente no mercado, como ressalta Spudeit.  

Suas práticas repetitivas dentro de um espaço tradicional ou a espera da execução de meros passos propostos por Grogan para recepcionar e atender satisfatoriamente públicos presenciais que visitarão geograficamente as quatro paredes de um serviço de referência, agora serão modeladas para um novo cenário criado a partir de um atendimento virtual que não será do conhecimento apenas de Jean-Philippe Accart. Não se trata de excluir algo, mas agregar a esse algo.

Seus planos e ações justificáveis por tipologias de espaços tradicionais e com estudos associados a âmbitos universitários, escolares, públicos, particulares, reunindo ora estudantes, ora colaboradores ou até mesmo pesquisadores especializados devem ser revistos. Neles, serão traduzidos e registrados os conceitos de integração de uma cibercultura e novas demandas de consumo que vão além dos preceitos otimistas do ciberespaço de Lévy ou de uma interatividade que já permite comunicação por realidade virtual.

Seu atendimento com aquele seu tratamento passivo e hierarquicamente superior associado ao consulente, ao leitor, ao suário e quiçá os interagentes propostos por Corrêa, quando o assunto é a comunicação monóloga, unilateral e de certa forma velada sobre a posse x empréstimo ganhará companhia da coletividade. Com ela, um olhar sobre um cenário de práticas e processos interacionais e sociais em que a mediação digital, a colaboração do próprio interagente e o crowdsourcing são componentes indispensáveis em todas as etapas de um ciclo que originam conteúdos em diferentes formatos e não apenas suportes.

Suas tarefas envolvendo a escolha de mobiliários, equipamentos, portifólios, sinalizações que orientem e instruam os lugares aprazíveis propostos por Valentim, junto com todos esses seus processos mapeados, um planejamento de produtos e serviços inovadores e até mesmo a execução tecnicista feita na prática por competentes e exímios estágiários, já não serão suficientes para estabelecer modelos de inclusão digital e aprendizado contínuo para a única razão de ser dos espaços tradicionais: as comunidades.

Estamos falando de interação e de presença digital, da participação social e de uma mudança capaz de revisitar tudo que você aprendeu ou apenas esperou que em seu processo formativo, algum utopiano, como diria Thomas More, tivesse alguma responsabilidade de ensinar.

No aprendizado, aquele temor sobre a capacidade alheia ser algo que ameaça, dará lugar ao reconhecimento de profissionais que desenvolveram competências e a coragem para ousar como os protagonistas sociais com todas as dimensões propostas por Henriette Gomes, sendo capazes de mediar, empreender, superar limitações da poeira de um sistema burocrata e correndo riscos sempre que os antagonistas conservadores e tradicionais impuserem obstáculos.   

Na sua atuação, além dos preceitos éticos, tecnicistas e legais que regem o exercício profissional após um juramento de junho de 1966 e a expedição de um registro profissional com pagamentos anuais, sua expertise será transversal. Você já não poderá ignorar os recursos da computação em nuvem com sistemas interligados de catálogos integradores, da robótica e da inteligência artificial que já terá diferenciado consciência e inteligência não só como suposição de Harari; dos preceitos de nicho, avatar, produto e oferta  do marketing digital; da experiência do usuário ganhando dimensões sensoriais que vão além da comunicação e da usabilidade, da arquitetura da informação e da curadoria de dados, objetos e artefatos digitais. Sim! A ciência dos dados e também a gestão e acesso a produtos e serviços a comunidades conectadas em espaços digitais.   

Entre tantos desafios, reconhecer que alguma coisa mudou é o primeiro passo para construir, reinventar e reconfigurar uma nova realidade, sem tê-la como uma afronta ao que você sempre construiu como verdade absoluta ao longo do tempo.

Não se trata de mais um duelo de realidades:  livro digital ou impresso, usuário ou interagente, formar coleções ou estoques informacionais. Lankes sabe bem a diferença de espaços que apenas formam coleções ou se preocupam em atender comunidades.

É como se soubéssemos que existe um trem da reinvenção chegando e precisássemos escolher em que vagão você, como profissional da informação, está pretendendo embarcar. Escolha rápido, pois a velocidade desse trem é maior do que você imagina!

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