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Resenha: Empreeendedorismo na Biblioteconomia – Jorge Cativo

Empreendedorismo-na-Biblioteconomia

SPUDEIT, D. (Org.). Empreendedorismo na Biblioteconomia. Rio de Janeiro: Agência Biblioo, 2016.

O livro ‘Empreendedorismo na Biblioteconomia’ é organizado pela professora no curso de graduação em Biblioteconomia e do Programa de Pós-Graduação de Gestão da Informação (PPGInfo) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) Daniela Spudeit.


A autora é doutoranda e possui mestrado em Ciência da Informação, ambos pela UFSC. É especialista em Gestão de Unidades de Informação e em Didática do Ensino Superior.

Possui bacharelado em Biblioteconomia e licenciatura em Pedagogia. Atualmente coordena o Grupo de Bibliotecários da Área Escolar em Santa Catarina (GBAESC), é vice-presidente da Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação (ABECIN) e editora adjunta da Revista Brasileira de Educação em Ciência da Informação (REBECIN).

A OBRA

A obra possui 224 páginas divididas em duas partes e foi lançada em setembro de 2016 pela Agência Biblioo, durante o I Fórum de Inovação e Empreendedorismo na Biblioteconomia (FIEB) realizado em São Paulo.


A primeira parte apresenta aspectos teóricos reunidos em oito capítulos que foram elaborados a partir de um projeto de extensão cujos autores foram discentes do Curso de Licenciatura da UNIRIO nos anos de 2014 e 2015.


Seguem-se mais cinco capítulos reunindo exemplos práticos de modelos de negócios na área da gestão da informação, escritos pelos estudantes da disciplina de Empreendedorismo do Mestrado em Gestão da Informação da UDESC no ano de 2015, totalizando treze capítulos.


O livro é uma iniciativa pioneira que reúne os fundamentos teóricos sobre o tema, ampliando os olhares sobre os múltiplos campos e oportunidades de atuação profissional, apresentando práticas empreendedoras que exigem perfil e competências empreendedoras.


Primeiro Capítulo: Empreendedorismo na Biblioteconomia


Em relação aos capítulos do livro, o primeiro inicia a contextualização teórica sendo de autoria da organizadora da obra. Apresenta diferentes definições sobre o Empreendedorismo relacionadas à Administração com ênfase na Biblioteconomia. 


Aponta oportunidades profissionais para atuação no mercado de trabalho considerando múltiplos campos de atuação, alertando sobre a necessidade do protagonismo, do pensamento fora da caixa e além de ambientes tradicionais com olhar sobre  erspectivas inovadoras e empreendedoras. 


Encerra explicando sobre a existência do empreendedorismo social e do bibliotecário empreendedor, cujas ações são voltadas para as necessidades sociais, para o bem coletivo de pessoas e consequentemente, para a transformação social das comunidades por intermédio do planejamento e uso da informação.


Segundo Capítulo: Empreendedorismo: conceitos, evolução histórica, tipologia e características


No segundo capítulo, Nathália Romeiro e Rodrigo Señorans além de fazer um panorama da origem e evolução histórica do empreendedorismo defendida por diferentes autores, destacam conceitos e os tipos de empreendedorismo sob o viés dos negócios, da ótica empresarial, do processo criativo, da inovação e das propostas lucrativas e não lucrativas. 


Encerram enumerando alguns atributos desejáveis para a compreensão do empreendedorismo que não se limita apenas com a criação de produtos e a abertura de empresas.


Terceiro Capítulo: Empreendedor: perfil, habilidades, comportamento ético e atitudes empreendedoras


No terceiro, de autoria de Bruna Nascimento e Alanna Freitas, apresentam-se o perfil e as características e habilidades do empreendedor, destacando-se preceitos éticos, finalizando com alguns exemplos de empreendedores bem-sucedidos. 


As autoras revelam ainda quer para empreender é necessário querer ser visionário, correr riscos e fazer escolhas, estimular a criatividade e aproveitar as oportunidades são passos fundamentais. 


Quarto Capítulo:  Intraempreendedorismo no contexto das Unidades de Informação

´Intraempreendedorismo no contexto das unidades de informação´ é o título do quarto capítulo que apresenta breve comparação, origem, conceito, perfil, características, mandamentos e práticas dos intraempreendedores, já que entre os indivíduos que empreendem existem os donos de um negócio próprio – conceito de empreendedor – mas também, enquanto funcionários de uma instituição, sujeitos à hierarquia e regras de uma organização, existem também os que conseguem ser inovadores em ações de seu ambiente de trabalho, correndo riscos sem temer a demissão, delegando ou fazendo o que deve ser feito mesmo com subordinação a alguém.


Quinto Capítulo: Abertura de uma empresa: aspectos legais e gerenciais 


O quinto capítulo é intitulado ´Abertura de uma empresa: aspectos legais e gerenciais’ e destaca etapas jurídicas, processos previstos na legislação, descrição breve de informações sobre consultas, contratos, inscrições e registros sobre os ditames da legalização de uma empresa por pessoas físicas. 

Consideram-se os diferentes ramos de atividade existentes a serem explorados, seja por empresas industriais, empresas comerciais e empresas de prestação de serviços. 

Orienta ainda sobre a precificação dos valores praticados em serviços oferecidos por bibliotecários de acordo com critérios sugeridos por bibliotecários com empresas já constituídas, conselhos de classe e sindicados existentes em diferentes estados do país. 


Capítulo 6: Planejamento de um negócio


Organizar um negócio exige planejamento, estratégia e um plano bem definidos a partir de conceitos e conhecimentos reunidos e apresentados no capítulo 6 escrito por Nathália Romeiro, Luciana Freitas e Marcílio Lopes. 

Fundamentados em diferentes autores, apresentam esses três conceitos de forma ampla a partir de um panorama histórico, da descrição da estrutura de elaboração do plano de negócios considerando sumário executivo, planos operacional, de marketing e financeiro além de ferramentas utilizadas no plano de negócios. 


Capítulo 7: A formação do bibliotecário empreendedor com foco na gestão de serviços de informação

Uma abordagem acerca da formação do bibliotecário empreendedor com foco na gestão de serviços de informação é apresentada no capítulo 7. 


Nathália Romeiro e Daniela Spudeit apontam a necessidade de estimular discentes – desde os  primeiros anos do processo formativo nas Escolas de Biblioteconomia – a perceberem as diferentes oportunidades são ofertadas pelo mercado a partir do caráter interdisciplinar da área da Biblioteconomia. 


Destacam e descrevem os três tipos de empreendedorismo conhecidos mundialmente a partir da literatura: empreendedorismo por necessidade, por oportunidade ou por inovação. 


Enumeram por fim, algumas escolas de Biblioteconomia que possuem alguma disciplina obrigatória ou optativa sobre o tema nas diferentes regiões do país. 


Além disso, indica algumas metodologias e estratégias de ensino voltadas para o ensino do empreendedorismo com prerrogativas mais dinâmicas e pedagógicas, favorecendo o desenvolvimento de competências necessárias ao novo perfil profissional empreendedor.

 
Capítulo 8: Oportunidades de negócios e novos cenários para o mercado na área de informação 

O capítulo 8 informa sobre diferentes áreas, campos e possibilidades de atuação aos bibliotecários além dos espaços tradicionais. 


Destaca a divisão criada por Valentim (2000) em relação ao mercado de trabalho: mercado informacional  tradicional, mercado informacional existente e não ocupado e mercado informacional de tendências, sendo a última delas, relacionada à atuação do bibliotecário enquanto empreendedor. 


Salienta por fim, dez demandas que podem ser percebidas como oportunidades para abertura de negócios na área já que vagas ofertadas na realização de concursos públicos e o número de empregos com contratação por meio de carteira assinada são menores a cada ano. 


Capítulo 9: Serviço de informação em memória: um modelo de negócio

O Capítulo 9 inicia a parte II do livro como parte do resultado da dissertação defendida no PPGInfo/UDESC em junho de 2016 por Marchelly Pereira Porto. 

 

Intitulado ´Serviço de informação em memória: um modelo de negócio´ destaca a necessidade de se
perceber no ato de empreender, a oferta de serviços nas áreas de gestão da informação e memória institucional. 

A partir da reflexão advinda dos conceitos de memória, enquanto patrimônio cultural, fenômeno social e principalmente coletivo, a autora revela que a memória quando relacionada a patrimônio cultural, liga-se a bibliotecários pela necessidade de identificação, preservação e conservação do que é produzido envolvendo sobretudo instituições, pessoas, fatos e informações. 


Apresenta por fim, identificadas algumas demandas de gestão da informação e da gestão da memória e do patrimônio informativo das instituições, alguns serviços e soluções e um modelo de negócio detalhado em blocos e voltado para a memória institucional e coletiva.


Capítulo 10: Modelo de negócio para criação de uma empresa na área de gestão de documentos 

Destacando o insumo e a matéria prima utilizada por bibliotecários, o caráter interdisciplinar que agregam saberes e práticas aos profissionais de áreas correlatas à Biblioteconomia e os desafios de empreender considerando a criação e gestão de um negócio a partir de diferentes variantes. 

O Capítulo 10 do livro Empreendedorismo na Biblioteconomia apresenta um modelo de negócio voltado para a gestão de documentos embasados tanto na legislação vigente quanto nos órgãos que regulamentam diretrizes para a construção e implementação de arquivos.


Indica ainda, alguns nichos de mercado considerando novas práticas que consideram o foco na preservação e no acesso.
Finaliza com a apresentação por meio da ferramenta Canvas, objetivando antecipar e prever riscos, avaliar previamente os agentes envolvidos e principalmente auxiliar empreendedores nos desafios dos profissionais envolvidos nas tarefas técnicas de preservação de documentos. 


Capítulo 11: Modelo de negócio na área de gestão da informação

Despertar o espírito empreendedor ainda durante a graduação, aprendendo a empreender e percebendo que na crise e nas incertezas é possível vislumbrar possibilidades é o objetivo do Capítulo 11 que apresenta um modelo de negócio, dessa vez voltado para a área da informação. 


Entendendo que o mercado possui contingências que precisam ser aproveitadas, Ana Carolina de Melo Martins e Luhilda Ribeiro Silveira prospectam e combinam o cenário de mudanças tecnológicas a partir de um oceano de possibilidades no campo da informação. 
Ressaltam mais uma vez no livro, a necessidade estratégica da inserção de disciplinas para o semear de profissionais com perfil e características empreendedoras ainda durante o processo formativo. 


Elaboram uma proposta de negócio com etapas, ações e etapas operacionais e técnicas, documentos existentes, custos e parcerias possíveis em dois dos diversos nichos de atuação existentes no mercado voltado para profissionais da informação: consultorias e assessorias especializadas. 


As autoras consideram que nos desafios, incertezas e instabilidades do mercado, principalmente em tempos de crise, o diferencial para alguns profissionais será o perfil inovador e o tino empreendedor de quem além de conhecer as oportunidades de mercado, está disposto a correr riscos. 


Capítulo 12: Cooperativismo: uma estratégia para bibliotecários empreendedores

O capítulo 12 intitulado: ´Cooperativismo: uma estratégia para bibliotecários empreendedores´ alerta sobre a necessidade de se predispor a correr riscos, saindo da zona de conforto e eliminando incertezas que impeçam profissionais de terem um novo olhar sobre novas possibilidades. 

Retrata a existência de algumas correntes associadas ao empreendedorismo além das que já foram apresentadas em outros capítulos do livro: o empreendedorismo social e o empreendedorismo colaborativo, também chamado de cooperativo ou de círculo colaborativo e que é o foco do capítulo. 


Entendem as autoras, que agir de forma coletiva é essencial em tempos de cooperação e que algumas iniciativas são bons exemplos disso: a criação de startups. 

Além disso, as cooperativas profissionais cujas características do modelo de negócio foram apresentadas com o objetivo de nortear sua criação e a prestação de serviços bibliotecários e de gestão da informação para cooperativados e aqueles que necessitam de serviços. 


Finalizam afirmando que o empreendedorismo colaborativo é uma alternativa viável para aqueles que de forma coletiva e participativa, desejam empreender por intermédio de colaboradores e profissionais que entendem o sentido de ajuda mútua, responsabilidade, transparência, parcerias e acima de tudo, objetivos comuns a todos. 

Capítulo 13: Empresa de captação de recursos para projetos culturais

O último capítulo do livro, preocupa-se com os ditames da obtenção de recursos quando se pretende elaborar um projeto de captação de recursos a partir da implementação de uma empresa voltada para realização de projetos culturais. 


O capítulo final tem como autoras, as irmãs Vânia Medeiros e Vanessa Medeiros. 


Criando relações do fomento à cultura, do planejamento e do empreendedorismo voltado para as necessidades de mercado na área da informação, o capítulo descreve em etapas, o processo de assessoria em projetos voltados para captação de recursos. 
Encerra, enumerando linhas de atuação de editais, custos iniciais e algumas demandas de mercado existentes. 


Seguem aos capítulos, anexos que reúnem informações sobre uma ferramenta visual de gerenciamento estratégico de um modelo de negócios, autoavaliação do perfil empreendedor para os leitores, além de fontes de informações sobre o tema e exemplos de empresas criadas por bibliotecários.


Por fim, apresenta uma breve biografia e agradecimento de cada um dos 21 autores dos capítulos encerrando o livro que teve Chico de Paula como editor chefe, Hanna Gledyz como editora de criação e Rodolfo Targino como editor adjunto, todos da Agência Biblioo. 
O livro teve tiragem única de 500 exemplares e está disponível no site da editora. 


Recomenda-se a obra para docentes, discentes das escolas de Biblioteconomia no país e profissionais visionários, que pensam ou querem atuar além dos espaços tradicionais e das instituições de ensino e pesquisa. 

Percebe-se na crise, a oportunidade de empreender e ocupar outros nichos de mercado não ocupados, que buscam inovar, empoderar, tornando-se protagonistas, intraempreendedores e profissionais que atuam na gama de possibilidades e oportunidades que a Biblioteconomia oferece.

Resenha publicada na edição sobre Empreendedorismo do Volume 15 da Revista RBBD, disponível aqui
   
 
 

 

 

 

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