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Resenha de “Livro digital e bibliotecas”: sem coleções digitais até quando? 2050?

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SERRA, Liliana Giusti. Livro digital e bibliotecas. Rio de Janeiro: FGV, 2014. 188p.

Agraciado pela oportunidade de escrever e compartilhar sobre uma obra Livro digital e bibliotecas de Liliana Giusti Serra, mestranda em Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação na Escola
de Comunicações e Artes – ECA/USP da Universidade de São Paulo; especialista em Gerência de Sistemas, graduada em Biblioteconomia e Documentação pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

A autora é profissional da informação da Prima (SophiA Biblioteca e SophiA Acervo), com vasta experiência nas áreas docência em São Paulo e na ministração de cursos de catalogação sob ótica do AACR2, MARC, ISBD e RDA, além de pesquisas e publicações sobre bibliotecas, conteúdos digitais e temáticas relacionadas com os quais contribui na obra.

A OBRA LIVRO DIGITAL E BIBLIOTECAS

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Lançada em 2014 pela Editora Fundação Getúlio Vargas como parte da coleção FGV de bolso, a obra possui oito artigos, entre publicados em revista do CRB8, anais do CBBD, Congresso CBL do Livro Digital e inéditos, distribuídos em 188 páginas, onde são discutidas temáticas envolvendo a inclusão do livro digital em bibliotecas.

Nesta perspectiva, são abordados os focos relacionados com a inclusão dos livros digitais nas bibliotecas, estudos de modelos de negócios e formas de aquisição, além de questões sobre os impactos na gestão,
empréstimo digital, competência em informação, privacidade dos dados dos usuários, as mudanças observadas nas bibliotecas e as semelhanças entre o mercado fonográfico e editorial e como ambos estão reagindo às transformações de formatos e suportes de seus produtos.

A obra também está disponível para compra em formato digital na Editora FGV para Kobo – leitor de e-books da Livraria Cultura – e, recentemente, também na Apple Store, para países no exterior como Estados Unidos, Portugal. Espanha, França, Inglaterra e Canadá.

É uma importante fonte de leitura e de consulta, se considerada a pertinência da temática no atual cenário tecnológico, agregando novas competências aos afazeres profissionais. Livro digital e bibliotecas deveria ser leitura obrigatória em tempos de formação e desenvolvimento de coleções digitais, quando algumas instituições se limitam a materiais impressos!

Com sua percepção e pesquisa, a autora destaca que a inclusão de livros digitais não deve ser atrelada a questões polêmicas acerca da permanência do ambiente físico, tampouco da própria materialidade do livro impresso, mas sim da necessidade de discutir a adequação de uma política de gestão às bibliotecas brasileiras.

Também reflete a ncessidade de repensar o atual sentido e significado destes espaços em uma realidade afetada pela tecnologia, pelos novos padrões e modelos de descrição, pela necessidade de reunião e tratamento de suportes e formatos de materiais em meio digital – desde sua aquisição até sua oferta – e principalmente pelas novas demandas de usuários nas quais a interação e o consumo do livro vêm sendo alterados gradativamente.

Coleções híbridas e o livro digital em bibliotecas

A obra inicia com o artigo intitulado “Bibliotecas do futuro e o foco no usuário”, vencedor do Premio Laura Russo – homologado pelo CRB 8 – na categoria Profissional, em 2012, no qual a autora discute questões acerca do novo papel profissional, a localização e o espaço tradicional das bibliotecas, o processo de tratamento técnico remodelado pela inclusão de novos padrões de descrição voltados ao usuário, o estabelecimento de coleções híbridas, que reúnem as obras impressas e os conteúdos digitais, além das novas gerações de usuários, ávidos pelo consumo de informações em meio digital e cada vez mais interconectados.

“Inclusão de livros digitais em bibliotecas: uma discussão necessária” é o título do segundo texto de Serra que apresenta reflexões e dificuldades acerca do advento do livro digital e sua oferta em bibliotecas. Descrevendo papeis e responsabilidades de cinco tipos de fornecedores de livros digitais – editores, agregadores de conteúdo, distribuidores, lojas virtuais e os próprios autores – a autora caracteriza uma variedade de modelos de negócios estabelecidos pelo mercado editorial, dando ênfase ao modelo da aquisição perpétua.

O terceiro texto de livros digitais e bibliotecas, sob o título “Impacto dos livros digitais em bibliotecas e o modelo de assinatura de publicações” discute as origens do livro digital, apresentando diversos fatores impactantes de sua inclusão em bibliotecas. Além disso, evidencia características da modalidade de aquisição por assinatura, suas relações e desafios para editores, fornecedores, usuários e gestores das bibliotecas.
Traçando conceitos, comparações e princípios históricos e epistemológicos da imaterialidade da informação, Serra apresenta em livros digitais e bibliotecas o capítulo “Desmaterialização do livro”, uma síntese evolutiva de diferentes formatos e suportes para registros textuais, inicialmente com periódicos e consequentemente com os livros.

Quatro momentos marcantes da evolução dos livros digitais são pontuados: os conceitos de Vannevar Bush e o Memex; o protótipo de dispositivo de leitura, Dynabook, idealizado por Alan Kay; o lançamento do Projeto Gutenberg, de Michael Hart; e o lançamento do Kindle, da Amazon, simbolizando a consolidação dos livros digitais.


Na contribuição “Sobre livros e música no formato digital”, a Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, traça um panorama do processo histórico e evolutivo do mercado fonográfico, analisando o impacto das tecnologias na relação de produção e consumo de formatos e suportes no decorrer do tempo. Sim, livros digitais e bibliotecas discute bastante sobre esse impacto!

Aponta ainda as relações dos mercados editorial e fonográfico, e as necessidades de readequação que se fazem necessárias, decorrentes da virtualização e desmaterialização de seus produtos, resultando em transformações nos hábitos de consumo. Sim livros digitais e bibliotecas também reforça a necessidade de conhecer essas relações!

Outro assunto importante e subjacente da questão de livros digitais e bibliotecas é tratado em “Empréstimo digital: como atender editores, bibliotecas e usuários”, onde é apresentado estudo sobre novos modelos de negócios em andamento nas bibliotecas norte americanas e que servem de referencial às bibliotecas brasileiras. Conceituando e caracterizando os modelos de assinaturas, aquisição perpétua, pay-per-view e aquisição por acesso simultâneo, a autora alerta para a necessidade de avaliação e definição de regras associadas aos direitos autorais, ao controle de acesso e a própria forma como as bibliotecas realizam a gestão de seus acervos.


A “Competência em informação e gestão de livros digitais” é tratada no texto seguinte, ao abordar algumas experiências de outros países sobre a necessidade de investimentos e ações de capacitação para uso de conteúdo digital, amparando a equipe da biblioteca e, principalmente, seus usuários, com o intuito de minimizar problemas e ampliar a aprendizagem sobre os diversos processos que envolvem o livro digital nas bibliotecas.
A autora discute no artigo “Empréstimo de livros digitais e a privacidade dos usuários” os detalhes da parceria entre a OverDrive e a Amazon ao oferecerem empréstimos de livros digitais por meio da loja virtual e seus efeitos em relação à confidencialidade e privacidade de dados dos usuários, que são coletados e analisados, caracterizando violação.

Para quem preferir assisir uma palestra em vídeo da autora:

Enfim, o livro é imprescindível, não somente pelo compartilhamento dos estudos da autora sobre o tema, mas pela propriedade em abordar discussões sobre livro digital e sua inclusão nas bibliotecas.

A obra apresenta possibilidades de análise e discussões sobre o cenário de mudanças observados nas unidades de informação, assim como dos agentes envolvidos – bibliotecários, editores, livreiros, autores e leitores –, além de repensar a importância de ajustes nas práticas de bibliotecas e bibliotecários, ao abordar diversos fatores que precisam ser readequados às novas demandas dos consumidores da informação.

Lembrando que você também pode acessar esse conteúdo disponível n BD sobre o tema!

Foco sempre!


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