REFERÊNCIA: COZMAN, Fabio G.; PLONSKI, Guilherme Ary; NERI, Hugo, orgs. Inteligência Artificial: avanços e tendências. São Paulo: Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, 2021. Livro eletrônico.
A obra configura-se como livro eletrônico interdisciplinar que sistematiza debates científicos, sociais e éticos sobre Inteligência Artificial, reunindo múltiplos autores e áreas do conhecimento, com foco na consolidação conceitual, histórica e aplicada da Inteligência Artificial no Brasil e no cenário internacional.
O argumento estruturante sustenta que a Inteligência Artificial deixou de ser campo restrito à computação e tornou-se infraestrutura transversal da ciência, da economia e da vida social, exigindo análise crítica, compreensão técnica e reflexão ética contínua sobre seus impactos e limites.
A apresentação e a introdução delimitam a Inteligência Artificial como campo volátil, historicamente marcado por ciclos de entusiasmo e frustração, destacando representação do conhecimento, tomada de decisão e aprendizado como eixos centrais da Inteligência Artificial contemporânea, além da centralidade do aprendizado de máquina e do aprendizado profundo.
No capítulo introdutório, discute-se o que é Inteligência Artificial a partir de definições clássicas e contemporâneas, problematizando a noção de comportamento inteligente, racionalidade, aprendizado e interação com o ambiente, bem como a distinção entre automação avançada e Inteligência Artificial propriamente dita.
A trajetória acadêmica da Inteligência Artificial no Brasil reconstrói o desenvolvimento histórico da área, desde os primeiros sistemas simbólicos e conexionistas até a consolidação de comunidades científicas, eventos e pesquisas nacionais, evidenciando desafios estruturais e avanços institucionais da Inteligência Artificial no país.
A seção Ética e Estética analisa criticamente a Inteligência Artificial sob perspectivas morais, culturais e artísticas, examinando vieses algorítmicos, interpretação de imagens, erros de sistemas inteligentes e os limites da ética artificial, reforçando que a responsabilidade ética permanece humana na Inteligência Artificial.
Na seção Ciências, a Inteligência Artificial é examinada como motor de transformação epistemológica, com aplicações em ciência de dados, redes complexas e produção de conhecimento, apontando potencialidades e riscos da delegação cognitiva à Inteligência Artificial.
Em Ciências Sociais Aplicadas, a obra discute a Inteligência Artificial no direito, na economia, nas políticas públicas, no varejo e nas finanças, enfatizando transparência, regulação, inovação e impactos sociais da Inteligência Artificial em contextos organizacionais e institucionais.
A análise crítica evidencia que a obra equilibra rigor técnico e reflexão social, embora a diversidade temática imponha leituras especializadas, o que demanda do leitor formação interdisciplinar para plena compreensão da Inteligência Artificial.
Do ponto de vista autoral, o livro consolida-se como referência científica ao tratar a Inteligência Artificial como fenômeno sociotécnico complexo, defendendo abordagem crítica, responsável e contextualizada da Inteligência Artificial frente aos desafios contemporâneos.

